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INVESTIMENTO EM STARTUPS NO BRASIL NÃO DÁ SINAIS DE DESACELERAÇÃO

Desde o início da pandemia, já se previa que haveria um grande impacto econômico nas nações mais atingidas pelo vírus. Também, foram inúmeras as matérias e até mesmo emails (como os que enviamos) que exaltavam as qualidades das startups que auxiliariam no enfrentamento da crise. 

Por muitas vezes, recorri a esse espaço para falar que startups estavam acostumadas com turbulências e que a flexibilidade, inerente às empresas com maior viés tecnológico, seria uma vantagem ímpar para rapidamente mudar o foco e/ou modelo de negócios de acordo com os impactos sentidos.

Tudo isso não passava de "achismo" na época, ninguém havia vivido uma crise sanitária e, consequentemente, econômica, de proporções similares antes. Sabíamos do histórico de enfrentamento de outras crises, menores, e imaginávamos que as vantagens que auxiliaram as startups nessas outras crises, se repetiriam nessa.

O "achismo", no entanto, se provou alinhado ao que acabou ocorrendo: startups mudaram de foco, rapidamente se adaptaram ao novo cenário, oportunidades de crescimento de certos setores - especialmente aqueles que lidam com a digitalização de empresas - foram aproveitadas por muitas startups e os investidores não deram sinais de descrença no modelo das startups, mesmo diante da incerteza econômica.

Recentemente, o Crunchbase, divulgou um relatório que observa justamente como - e se - o funding de startups foi afetado. Apesar de reconhecer as dificuldades enfrentadas pelas empresas na pandemia, o relatório mostrou que alguns países continuam divulgando deals frequentes, países como EUA, Índia, Indonésia, Austrália, Nova Zelândia, França, Bélgica e Brasil demonstraram resiliência e, apesar de haver leve queda nos investimentos, mantiveram um bom ritmo.

Inicialmente, imaginava-se que os países que fossem mais atingidos pela pandemia, seriam os que mais sofreriam consequências econômicas, especialmente quando se trata de capital de risco. Mas, não foi o que ocorreu. 

Estados Unidos e Brasil foram dois dos países que registraram maior número de casos e, infelizmente, de óbitos no mundo. A economia foi atingida pelos frequentes lockdowns, o consumo deu sinais de desaceleração, mas o funding se manteve estável. O Brasil, por exemplo, quase se equiparou ao seu recorde máximo de investimento em primeiros semestres (U$ 826 milhões - alcançado no primeiro semestre de 2019) neste primeiro semestre de 2020 (U$ 811 milhões).

Embora esses sejam resultados preliminares, já que a pandemia ainda não acabou por aqui, outros países que tiveram altos números de contágio, como a Espanha, tiveram significativa desaceleração nos investimentos de capital de risco. Vale lembrar que a Espanha teve um período muito menor de lockdown se comparado ao somatório dos períodos de lockdown que ocorreram no Brasil.

Isso mostra que, até agora, não há grande correlação entre a prevalência de casos de COVID-19 e o volume de investimentos de capital de risco. Entretanto, como a China e a Espanha foram alguns dos primeiros locais a serem atingidos pela pandemia, pode ser que esses efeitos ainda sejam sentidos mais pra frente por aqui.

O relatório ainda mostra que houve uma queda do valor de investimento em capital de risco globalmente. Mas, a queda foi muito menor do que poderia ter sido, especialmente se considerarmos que os efeitos do COVID-19 afetaram as vidas de quase toda a população mundial e, por consequência, a economia global. As videochamadas, que se tornaram lugar comum, foram essenciais para manter o ritmo de investimento, com empreendedores e investidores fechando acordos mesmo à distância.

Plataformas online de investimento em startups, como a CapTable, também foram relevantes no período, já que permitem que o investimento em startups seja feito à distância, totalmente online. Embora os Estados Unidos continuem sendo o país com maior volume de capital de risco disponível, é inevitável que haverão muitos Vales do Silício, já que muitas regiões do mundo estão tendo aumento de oferta de capital de risco e se tornando hubs de inovação.

Se você deseja aprender sobre o Vale do Silício, o que há de especial na região e quer saber mais sobre a experiência que a CapTable trará junto à StartSe durante o evento Silicon Valley Web Conference, responda essa pergunta para lhe mantermos informado.